|
A poluição atmosférica é umas das
questões ambientais mais preocupantes a ser considerada
em áreas de aeroportos com grande movimentação de aeronaves,
como os existentes em diversas capitais brasileiras.
A qualidade do ar local e de seu entorno é diretamente
influenciada pelo perfil das emissões de poluentes provenientes
não apenas da operação das aeronaves, como também de
todos os veículos e equipamentos de apoio, responsáveis
por atender as necessidades técnicas, logísticas e operacionais
das aeronaves em terra , representando um conjunto complexo
de fontes de emissão de poluentes atmosféricos que requerem
monitoramento constante.
Os aeroportos contribuem para a poluição local de diversas
formas. Resumidamente, pode dizer que as principais
são:
-Emissões das aeronaves nos taxeamentos
-Emissões de fontes internas dos aeroportos, tais como
as de veículos auxiliares
-Estocagem, recebimento e entrega de combustível podem
gerar emissões, especialmente de hidrocarbonetos, através
de evaporação e perda natural
-Emissões geradas pelo combustível utilizado para aquecer,
iluminar, etc
-Emissões devido à construção e manutenção de vias de
acesso aos aeroportos
-Emissões durante os processos de decolagem e aterrissagem.
Sob tais circunstâncias ocorre geração, em grande quantidade,
de óxidos de nitrogênio, compostos extremamente danosos
ao solo e a água e, conseqüentemente, à saúde humana.
Em termos de poluição do ar local devido à movimentação
aeroportuária, observa-se que um grave problema é o
tráfego de alimentação ao aeroporto. A grande maioria
dos passageiros, tripulação, funcionários ou qualquer
pessoa que, por qualquer motivo, se dirija a um aeroporto
o faz, a maioria dos casos, através de veículos motores
(ônibus e automóveis, basicamente). A poluição gerada
pelas emissões devido à queima do combustível de tais
veículos constitui-se, normalmente, no fator que mais
potencializa os níveis de poluição nos aeroportos ou
proximidades.
A enorme quantidade diária de viagens rodoviárias com
destino aos aeroportos gera uma poluição não desprezível.
Tal poluição, dependendo do regime local de ventos,
pode chegar a ser superior (para um período de um mês
ou mais) do que a poluição devido às manobras de decolagem
e aterrissagem das aeronaves, de acordo com estudo realizado,
em 1999, em diversos aeroportos dos Estados Unidos (EPA,
1999).
Esse mesmo estudo observou que em determinados aeroportos,
como o de Miami, as emissões de óxidos de nitrogênio
devido aos veículos automotivos de alimentação aeroportuária
chegavam a ser cerca de 9% superiores do que as emissões
de NOx, resultantes das manobras dos aviões. Pesquisas
similares, realizadas na China e países da Europa, chegaram
à mesma conclusão, ou seja, o tráfego rodoviário próximo
ao aeroporto é o fator dominante na influência da qualidade
do ar em regiões próximas aos aeroportos (T&E, 1997).
A poluição do ar local, devido à movimentação rodoviária
de alimentação a aeroportos, é função do tipo de acessibilidade
disponível. Quando o poder público incentiva o transporte
público, a tendência é a minimização deste tipo de poluição.
A própria conscientização das pessoas pode auxiliar
nesse sentido. Fato é que, atualmente, na grande maioria
dos aeroportos do mundo, o afluxo de pessoas se dá através
de transporte individual em detrimento ao coletivo T&E
(1999).
Um estudo realizado para o caso do Aeroporto Internacional
Tom Jobim no Rio de Janeiro chegou a mesma conclusão.
O aumento de geração de viagens automobilísticas para
aeroportos tem causado algumas recentes pesquisas em
aeroportos direcionadas primordialmente na solução de
estacionamento. Entretanto, os estudos realizados não
têm analisado suficientemente a questão do impacto em
vias livres e arteriais, nem definiram adequadamente
o problema das demandas das vias no entorno de aeroportos.
A área de influência de um sistema aeroportuário é muito
extensa. No caso de um aeroporto possuir um fluxo de
cerca de doze milhões de passageiros por ano, isto poderá
afetar o tráfego rodoviário de uma cidade em um raio
de três a cinco quilômetros da sua vizinhança.
Por outro lado, dependendo da concentração e do tipo
dos poluentes essa dispersão pode alcançar até dez quilômetros
quadrados. Assim, o fluxo de tráfego gerado pelo sistema
aeroportuário (inclui estacionamento e o aumento na
circulação de veículos na área de influência do aeroporto)
pode interferir na qualidade do ar mais do que as emissões
oriundas da área interna do aeroporto.
Portanto, o aeroporto, sendo um PGV - pólo gerador de
viagens, influencia a qualidade do ar de uma região
devido ao incremento do fluxo de tráfego. |