A mídia, freqüentemente, divulga
notícias nacionais e internacionais sobre temas ligados
a energia e ao meio ambiente e seus reflexos na economia.
Os preços do petróleo, do gás natural, do álcool e do
biodiesel, a auto-suficiência brasileira em petróleo,
o aquecimento global, e o Mecanismo de Desenvolvimento
Limpo (MDL). O público fica às vezes confuso com o excesso
de informações e não consegue perceber a ligação entre
elas. Uma boa pergunta seria: Afinal, por quê investir
no biodiesel se o Brasil é auto-suficiente em petróleo?
Os motivos e fatores para tais investimentos são muitos,
sendo preciso pensar a médio e longo prazo, uma vez
que o crescimento demográfico e o desenvolvimento econômico
exigirão a cada dia mais energia. Em primeiro lugar,
não podemos esquecer que o petróleo, a principal fonte
de energia do mundo, é um recurso finito não renovável,
uma commodity que a cada dia é mais consumida, em especial
pelos chineses.
Com esse crescimento, a tendência é que as reservas
existentes no subsolo diminuam e os seus preços aumentem.
Ademais a sua distribuição geopolítica é desigual, sendo
que mais de 60% de suas reservas mundiais concentram-se
nos países do Oriente Médio, uma região freqüentemente
perturbada por conflitos, que também pressionam a elevação
nos preços do petróleo.
A nossa auto-suficiência é temporária, pois as reservas
provadas brasileiras são suficientes para pouco mais
de 20 anos, tal como no resto do mundo. Isso se tudo
permanecer como está, pois caso ocorra um desenvolvimento
econômico significativo, sem agregar novas descobertas
o esgotamento das reservas ocorrerá de forma mais acelerada.
Todos esses fatores pressionam diretamente as economias
nacionais, tendo em vista a relação: disponibilidade
x consumo x preço dos combustíveis. No entanto outros
fatores também estão em jogo, em especial as questões
ambientais.
Há uma preocupação crescente quanto às mudanças climáticas
relacionadas ao efeito estufa, que aumenta o aquecimento
global. A Terra é envolvida por uma camada de gases,
chamados "Gases de Efeito Estufa" (GEE), que é responsável
por manter amena a temperatura média da Terra; sem ela
o planeta seria excessivamente gelado. Porém, as emissões
dos GEE vêm crescendo continuamente, o que aumenta a
concentração dos gases retidos na camada e favorece
a retenção de calor no planeta. Um dos gases estufa
que mais contribui para o aquecimento global é o dióxido
de carbono (CO2), que é produzido pela queima de combustíveis.
É preciso esclarecer que toda a combustão produz CO2,
todavia a queima de biocombustíveis como o biodiesel
e o álcool, o CO2 emitido é reabsorvido pelo processo
da fotossíntese durante o crescimento da nova safra
agrícola. É porisso que os biocombustíveis pouco contribuem
para o efeito estufa. Assim, a produção de biocombustíveis
no País contribui diretamente para evitar o aumento
das emissões que intensificam o aquecimento global,
que alteram as condições climáticas em todo o mundo.
O problema do aquecimento global é sério. Desde 1992,
cientistas e políticos em todo o mundo vêm procurando
soluções técnicas e economicamente viáveis para reduzir
as emissões de GEE. Em 2005, foi ratificado o Protocolo
de Quioto, no qual foram estabelecidas metas para que
as nações mais desenvolvidas, responsáveis pelo maior
volume dessas emissões, as reduzam. Um dos mecanismos
criados pelas Nações Unidas permite que países desenvolvidos
apliquem recursos em projetos, em países em desenvolvimento
como o Brasil, para reduzir as emissões de CO2.
Portanto, projetos para produção de biocombustíveis
podem ser candidatos a obter recursos financeiros via
o Mecanismo de Desenvolvimento Limpo (MDL). O processo
para obtenção de recursos via o MDL requer o cumprimento
de uma série de exigências formais e de aprovação, nacionais
e internacionais, para garantir credibilidade ao sistema
de emissão de "redução certificada de emissão" ou "RCE"
que é igual a uma tonelada métrica equivalente de dióxido
de carbono. Isso significa que cada tonelada de biodiesel
produzida poderá reduzir cerca de 2 a 3 toneladas de
CO2, dependendo do processo de produção do produto.
Apenas para se ter uma idéia do potencial econômico
do negócio, uma tonelada de CO2, no mercado internacional,
tem variado de 1 a 3 dólares americanos, na Bolsa de
Chicago (
www.chicagoclimatex.com).
Com vistas a obter a aprovação de projetos no âmbito
do MDL, os interessados podem consultar à Secretaria
Executiva da Comissão Interministerial de Mudanças Globais
do Clima (CIMGC) e para obter mais informações, devem
consultar a página oficial do Ministério de Ciência
e Tecnologia (
www.mct.gov.br/clima).