Até ontem quando um banco financiava
um projeto, havia a constante preocupação com a inadimplência
e em algumas vezes até com os índices inflacionários.
No entanto, os bancos não poderiam sequer supor, que
na condição de financiadores eles acabassem envolvidos
em uma ação ambiental. São envolvidos apenas em decorrência
de uma medida inadequada de responsabilidade exclusiva
do tomador do empréstimo.
Convenhamos, um banco é credor e não avalista!
Pois acreditem, os tempos e os valores mudaram! Pelo
menos no que diz respeito aos projetos potencialmente
poluidores. Pois como se sabe, desde 1981 a Política
Nacional do Meio Ambiente estabeleceu a obrigação
do degradador ambiental recuperar ou indenizar pelos
danos que causou. A mesma lei também estabeleceu o
princípio da responsabilidade solidária, na qual aqueles
que se beneficiaram dos lucros, também devem responder
solidariamente para recuperar o meio ambiente degradado
e isto ocorre independente de culpa ou de dolo.
Demorou algum tempo para que uma parte da nossa sociedade,
representada pelo Ministério Público, passasse a entender
que quando um banco financia um projeto, ele está
se beneficiando dos resultados alcançados e quando
o envolvimento é muito forte, como nos casos de "Project
Finance", ou até mesmo quando as garantias reais são
muito expressivas. O "MP" e uma parte do judiciário
começa a entender que a instituição financeira é sócia
e não apenas uma financiadora do projeto. Dentro deste
princípio não fica muito difícil atribuir a responsabilidade
solidária a um agente, que é sempre extremamente solvente.
É notório que se esta prática se propagar, os juros
irão subir mais ainda enquanto o emprego desaparece
e a miséria aumenta. Tudo ocorrerá porque os financiadores
serão muito mais cuidadosos e irão aumentar as taxas
na proporção dos riscos, principalmente em projetos
que apresentem risco ambiental ou incertezas. São
bons exemplos os projetos de engenharia genética,
que liberam no meio ambiente organismos geneticamente
modificados.
Naturalmente existem formas de minimizar os riscos
ao financiar um projeto, entre elas: O financiador
promover auditorias ambientais do projeto e jamais
financiar um projeto sem LP (licença ambiental para
projetos). Outra precaução bastante comum nos Estados
Unidos é a contratação de um seguro ambiental, uma
prática ainda pouco difundida no mercado brasileiro.